terça-feira, 16 de junho de 2009

Artur da Távola e João Ubaldo Ribeiro: sensacional!!

Gente, estou APAIXONADA atualmente por dois escritores brasileiros, Artur da Távola e João Ubaldo Ribeiro. Este, consagrado nacional e internacionalmente, tendo como obra expoente "Viva o Povo Brasileiro", baiano arretado, nascido em Itaparica, dispensa maiores apresentações, claro, todo leitor o conhece, pelomenos de ouvir falar. Estou me deliciando com "Arte e Ciência de Roubar Galinhas", seu livro de crônicas simplesmente ILÁRIAS, é de morrer de ri!!! São histórias pitorescas relatadas por ele, sobre sua convivência com os moradores da pacata, mas nem um pouco medíocre Ilha de Itaparica. João (olha a intimidade...) se mostra profundamente obervador dos costumes, atitudes, tradições, linguagem peculiar daquele povo conterrâneo seu e como todo bom escritor, utiliza-se desse material humano para tecer as suas histórias, misturadas com as histórias daquelas pessoas humildes, mas ricas de repertório. Fica aí a dica!! Conheçam um pouco mais desse naturalmente sarcástico e bem-humorado escritor do cotidiano brasileiro.



Artur da Távola
: esse surgiu em minha trilha de leitora de forma totalmente inesperada, tive uma grata surpresa ao conhecê-lo através do texto postado anteriormente, "A alma dos diferentes", que me fora enviado por um amigo! Não preciso dizer que amei o texto, tanto é que postei aqui para compartilhar com vcs. Acabei me identificando em muitas passagens e reconhecendo pessoas, amigos, enfim...os DIFERENTES que tanto admiro!!

Daí, tive a natural curiosidade de saber mais sobre esse cidadão até então desconhecido do meu limitado repertório de leituras. Fuçando na web descobri mais belos textos dele e, para o meu espanto total, era ele político!!! Pasmem!! O motivo do espanto, claro, deve-se ao fato de termos já incorporado uma imagem tão negativa dos políticos brasileiros que imaginamos ser meio surreal encontrarmos um deles com tamanha sensibibilidade e habilidade escritora!

Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros
, conhecido pelo pseudônimo de Atur da Távola, natural do Rio de Janeio, falecido ano passado, foi um advogado, jornalista, radialista, escritor, professor e POLÍTICO BRASILEIRO. Exerceu mandatos de deputado federal e senador e foi por nove meses secretário da Cultura na cidade do Rio, sendo tb um dos fundadores do PSDB. Como veem, o cara era plural!!



Estarei postando aqui durante essa semana alguns de seus belos textos como forma de homenagear este, que foi notadamente um admirável político-escritor-jornalista-advogado-radialista-professor!!!


Beijosssssssssssssss e Boas Leituras acompanhadas de muitas descobertas!!

AFINIDADE

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. E o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento...

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas, quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.

Artur da Távola

Um comentário:

  1. Já li a arte de roubar galinhas...é realmente mtu engraçado...adoro livros e achei seu blog mtu bom. Parabens!

    http://gabimart.zip.net

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