sábado, 20 de fevereiro de 2010

Cultura Underground... Onde está?

Ao ouvir Zeca Baleiro cantar: “o cara mais underground que conheço é o diabo, que no inferno toca cover das canções celestiais...” Fico a pensar que até o representante das trevas, no auge do tédio, da mesmice das suas ações cotidianamente maléficas, movido por um instinto criativo e debochado resolve revolucionar o seu espaço monótono, afrontando o seu opositor com o Heavy Metal do Senhor!


Historicamente, seguindo essa linha subversiva, a década de 50 marcou o início de movimentos essencialmente contestadores denominados de contracultura ou cultura underground, encabeçados por grupos de jovens que objetivavam as transformações da consciência, dos valores pré-concebidos, do comportamento padronizado.


Trilhando esse caminho alternativo, contestou-se principalmente a falta de pensamento crítico, o comodismo, a apatia mediante toda e qualquer produção cultural impositiva.


Com isso surgiram os hippies, com um estilo de vida completamente anticonsumista, o rock’n roll imortalizado por Elves Presley, Jeames Jean protagonizando Juventude Transviada e Assim Caminha a Humanidade, seguido dos grandes festivais de música, a exemplo do Woodstock, tendo como atração maior Jimi Hendrix estremecendo os solos com sua guitarra, enfim, criou-se uma forma de negação de produções culturais não identitárias e homogeneizadas.


Gerações se sucederam (re)construindo seus valores, costumes, ideologias vigentes através de representações artísticas libertárias.


E aqui, hoje quem ou quais grupos representam e dão continuidade a essa cultura underground? A cultura que se desvia das vitrines midiáticas, da cultura de massa tão descartavelmente consumível.


Música, literatura, linguagem... O que existe de representativo sendo produzido paralelo ao universo dos cânones ditatoriais da sociedade atual? Grupos que buscam liberdade de expressão, que fogem do “fardamento” da indústria de vestuários, artistas que produzem músicas cujas melodias não fazem parte das trilhas sonoras das novelas globais...


Estão sucumbidos pela indústria das grandes mídias, a serviço do capital. A cultura que é produzida e consumida maciçamente hoje, reflete um modelo de vida baseada na despersonalização do indivíduo. Quem resiste a essa uniformização não possui visibilidade porque vem do lado oposto do “mercado atacadista”.


Somos hoje, envolvidos por uma falsa impressão de liberdade. Quando na verdade, nunca antes fomos tão escravizados. Somos conduzidos como gados ao matadouro... Nas palavras de Lya Luft, “liberdade não vem de correr atrás de deveres impostos de fora, mas de construir a nossa existência” e para tal precisamos nos auto descobrir enquanto autônomos, nos posicionando à margem do lixo cultural que nos aliena e nos formata, abstraindo a força e beleza da nossa singularidade.


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