sábado, 22 de maio de 2010

Eu leio. Tu lês? Eles não leem...





Periodicamente, somos informados pela mídia em geral, através de dados estatísticos sobre algo que, desde sempre nos desqualifica perante outros países mais desenvolvidos: o precário hábito de leitura entre nós. Definitivamente, esta não faz parte do cotidiano da maioria dos brasileiros.

A média de leitura aqui é de 2,5 livros por ano, contra 10 a 15 em países como Estados Unidos, Suécia e Dinamarca. Só a capital da Argentina possui mais livrarias do que todo o território nacional. Por aqui, apenas 30% dos 5.564 municípios possuem livrarias.

Diante desse quadro vergonhoso que nos posiciona em condição de inferioridade, eu pergunto: o que vem sendo feito em termos de incentivo para reverter esses dados que trazem em seu bojo inúmeras causas e conseqüências desastrosas, tanto culturalmente, quanto em termos de ascensão social para o país.

Segundo o poeta Mário Quintana: “Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não leem.” Permanecem na escuridão, com a visão embaçada, limitada, tateando em meio a um mundo repleto de luminosidade. E como “em terra de cego, quem tem olho é rei...” Quem não usufrui desse poderoso instrumento de libertação que é a leitura, está fadado a ser sempre o bobo da corte, súditos de um reinado sádico e opressor.

Povo iletrado é, indubitavelmente, sinônimo de povo alienado, massificado pelo Estado e suas ideologias vigentes; pela mídia e seus mecanismos a serviço do capital. Povo rebanho, conduzido de olhos vendados na direção que convém aos interesses daqueles que o manipula. Marionetes treinadas e expostas para agradar a uma platéia vip.

Mas a quem pertence o papel de formador-leitor? Aos pais? À escola? Mais uma vez recorro a Mário Quintana: “Competiria aos pais dessas crianças,não a nós, incutir-lhes o hábito das boas leituras. Ora essa! Mas se eles também não leem... Vivem eternamente barbiturizados pelas novelas de televisão.”

Pois é caros amigos, os pais não leem para seus filhos (quando estes são alfabetizados), pois o seu tempo é escasso e o horário das telenovelas e dos programas de auditório são sagrados.

Por sua vez, os ícones da música jovem atual também não contribuem para a formação de leitores, ao contrário, fazem questão de assumirem publicamente a ausência do gosto por tal prática. É o caso, por exemplo, da pop star baiana Ivete Sangalo. Sim, ela mesma! Ivete, ao cumprimentar o escritor João Ubaldo Ribeiro disse, sem cerimônia, admirá-lo bastante, mas admitiu nunca ter lido um só livro seu, por não gostar de ler.

E o que dizer do nosso Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este também propaga aos quatro cantos do país, que não lê, pois não precisa, por estar sempre em contato com pessoas das quais ele abstrai as informações de que necessita. Além de viajar bastante mundo a fora, aliás, ele fora até então o presidente que mais carimbou passaporte na história desse país. E já que estamos falando em leitura, indico “Nunca antes na história deste país”, de Marcelo Tas. No mínino, hilário!

Resta à escola, instituição oficialmente disseminadora do saber, desenvolver nos seus alunos a prática da leitura, papel este que deveria ser a sua prioridade máxima, ensinar a ler e a escrever! E esta o faz com eficácia? Definitivamente, NÃO!

Estatísticas demonstram que dos 2,5 livros lidos por pessoa anualmente, apenas 0,9 não são didáticos. Ou seja, torna-se visível que a escola pratica apenas leituras técnicas, sistematizadas, em sua grande maioria.

Os professores limitam-se a realizar leituras referentes às suas respectivas disciplinas, não adentram no universo literário por também não terem adquirido o hábito da leitura amplificada.

A escola onde trabalho, por exemplo, possui uma biblioteca com um razoável acervo de livros, porém encontra-se desativada. Isso mesmo: D-E-S-A-T-I-V-A-D-A. Os livros estão amontoados, empoeirados, empilhados numa sala designada para ser uma BIBLIOTECA. Os alunos estão sem acesso aos livros sob a alegação de carência de pessoal para trabalhar. Com exceção dos lamentos dos próprios alunos, nenhum membro do corpo docente se manifesta (pelo menos não oficialmente) no sentido de reivindicar o direito dos discentes em manipularem os livros, como o faziam em anos anteriores.

Ora, as estatísticas só confirmam o descaso com a prática da formação de leitores no Brasil. Ah! Mas há quem se contente com o título surrado de país do futebol e do carnaval... Para os quais basta uma bola quicando e uma bunda siliconada rebolando.

Brava (ou besta?) gente brasileira!!



9 comentários:

  1. May que palavras... Adorei a sua crítica. Merecedora de aplausos.
    Vergonhoso!Que país é esse ?"

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  2. Ray,obrigada peloos aplausos...rsrs

    Aquiles, belo comentário!Obrigadaa!!!!

    Bjooo!!

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  3. Oi Mayre! deixei selinho pra você lá no blog: http://wonder-books.blogspot.com/2010/05/selinho-polemico.html

    bjs.

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  4. Diana,obrigada!!rs Vou pegar sim! Achei bem criativo esse selinho!rs

    Bjos!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Oi Mayre!

    Primeiramente, obrigada pela visita e pelo comentário carinhoso. Vi que vc tb me visitou no meu espaço intimista. Mais uma vez, obrigada.

    Bom, adorei esse post e o seu blog tb! Bem atualizado, crítico e gostoso de visitar. Parabéns viu?

    Quanto ao livro do Aquiles (te respondi lá no blog)ainda estou só na divulgação. em breve pretendo lê-lo pois achei o conteúdo mega interesante.

    Manda teu banner pra mim. Colocarei nos meus blogs ok? Apareça e deixe seus coments. Suas opiniões tb são importantes para mim!

    Ótima semana pra ti flor!

    Beijos.

    www.todamulherprecisa.com
    www.universoparticular.net

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  7. Oi Rosi, tem selinho pr vc lá no blog, bj
    http://danfalandodelivros.blogspot.com/2010/05/selinho-polemico.html

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  8. Selinhos pr vc no meu blog, bj
    http://danfalandodelivros.blogspot.com/2010/05/selinhos.html

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  9. Oi, gostei bastante do seu blog e principalmente de sua visão crítica e precisa sobre os fatos que temos que vivenciar na nossa medíocre nação brasileira.Acho extremamente absurdo que um país priorize aspectos tão pequenos e não a educação e leitura. E, como você disse, até a música e músicos são deprimentes e nem sequer se preenchem de cultura e conhecimento. Logo eles produtores da arte. Lamentável.


    Ler é crescer, aprender, analisar e ser capacitado a criticar e compreender o seu meio. A leitura é a ferramente de racionalização do Homem.Mas o Brasil, esse Brasil de `` bola quicando e bunda siliconada`` não percebe mais nada além disso.


    Parabéns!!

    Beijão!

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