sábado, 15 de maio de 2010

O emprego dos meus pesadelos

Tive a grata surpresa de conhecer o Emanoel Achiles (o qual dediquei o meu último post “Aquiles, o forte!”) no Skoob, site de relacionamentos para leitores. Logo fui apresentada à sua obra “O emprego dos meus pesadelos”...E nada melhor do que ter o privilégio de conhecer um livro através do seu próprio autor!rs. Depois de saber de alguns detalhes sobre sua mal sucedida carreira profissional (algo que de alguma forma coincide com a minha),vi que estava diante de uma história de vida semelhante à de muitos brasileiros, que mesmo possuindo uma formação adequada não conseguem o devido reconhecimento profissional no mercado de trabalho. Aliado a isso, ele nos mostra que a maneira como encaramos as adversidades da vida faz toda a diferença para conseguirmos alcançar nossos objetivos! Nessa entrevista enriquecedora, o jovem escritor nos fala sobre sua obra, seus projetos em andamento e dá dicas para aqueles que pretendem iniciar-se no universo literário.

Livro disponível AQUI


Todo mundo deseja ter um bom emprego. Não só um emprego que pague bem, mas que traga satisfação, reconhecimento e segurança financeira. Que proporcione, ao menos, o mínimo de dignidade e conforto para o empregado e, quem sabe, para a sua família. Seria este o "emprego dos sonhos", que todos querem, todos perseguem, mas poucos são os que o possuem. Neste seu primeiro livro, Emanoel Achiles conta sua própria experiência como empregado de um escritório imobiliário. O que parecia ser, à primeira vista, um trabalho simples, acabou se transformando em uma grande dor de cabeça e um dos piores momentos de sua vida. Morando de aluguel em uma cidade grande, sobrevivendo com salário inferior ao mínimo, perseguido pelo chefe, sem experiência anterior no ramo e sem oferecerem treinamento para o cargo que ocupava, o autor relata com sinceridade as diversas situações vividas por ele. Alguns destes momentos são hilários, como o dia em que precisou atender um homem que sofria de problemas mentais - e que estava completamente nu -, às vezes dramáticas e solidárias, como quando, por exemplo, decidiu ajudar uma senhora que seria despejada de casa pelo próprio filho. O trabalho diário exaustivo e frustrações - 9 horas por dia debaixo de sol escaldante, 10 pessoas por hora -, os malabarismos para permanecer no emprego, o contato nem sempre amigável com clientes e as confusões em que acabou se metendo sem querer neste "emprego dos pesadelos" vão divertir, entreter e, acima de tudo, emocionar.


Fala, escritor!




Rosimayre: Fale-nos sobre a sua obra "O emprego dos meus pesadelos". Como surgiu a ideia inicial para a criação desta obra?


Emanoel Achiles: Na época, cerca de quatro ou três anos atrás, eu já tinha planos de publicar um livro, mas era um livro de ficção, um outro estilo, outra temática etc... Como eu disse, os livros não apareceram de repente em minha vida e a ideia de publicar algo era bem antiga. Mas, ao conhecer tantas pessoas diferentes, com tantas histórias interessantes de vida naquele emprego temporário, eu pensei: “Por que não compartilhar isso com outras pessoas? Por que não unir minha vida a destas pessoas e transformar em livro?”. Eu me identificava com elas de certo modo, e outros se identificavam comigo, com as situações que vivia. Por isso, quando as pessoas perguntam, eu costumo dizer que o livro não é sobre mim, mas sobre pessoas como eu, que viveram situações semelhantes. A semente do projeto germinou neste momento. Claro, à medida que eu ia contando aos amigos sobre tudo o que eu vivia no emprego, sobre aqueles clientes inacreditáveis, eles me sugeriam que eu escrevesse um livro. Foi para atender esses pedidos que “O emprego dos meus pesadelos” acabou passando na frente de outros projetos!

Você pode nos contar uma situação constrangedora que você tenha vivenciado durante o período em que esteve trabalhando neste “emprego dos pesadelos”?


Meu Deus, foram muitas! (risos). Aliás, praticamente todos os clientes me constrangiam de alguma forma. O trabalho era muito impessoal, eu não tinha muito tempo para conversar com eles, porque o ritmo era incessante. Mas o meu silêncio acabava despertando uma espécie de sentimento, de confiança nos clientes, e eles acabavam contando um pouco de suas vidas. O livro é muito mais sobre esta relação profissional do que sobre minha vida mesmo. No mais, eu citaria o dia em que tive que mostrar uma casa para uma cliente, que fazia tempo estava fechada e ficava ao lado de um cemitério ou de quando tive que atender um homem com problemas mentais que estava completamente nu (risos). A maioria dos clientes eram pessoas solitárias, muitas idosas. Houve momentos que me emocionei, embora eu não demonstrasse para que meu trabalho não fosse comprometido, como uma senhora que tinha passado toda sua vida dentro de uma casa e seu próprio filho queria tirá-la de lá. Senti muita pena por ela, fiz o que pude para ajudá-la. As pessoas, depois de tanto tempo vivendo sob o mesmo teto, acabam se apegando aos seus lares, às suas propriedades. A casa em que ela vivia era como uma parte dela.


Existem mais projetos em pauta?


Vários. É difícil você escolher um e dizer “este está pronto, vou publicar!”. Tem sempre algo que você quer mudar, acrescentar, cortar... Voltei para ficção, confesso que me sinto à vontade para criar e imaginar mundos, personagens, situações. Você tem mais liberdade criativa. E com certeza, é mais difícil encerrar um livro cuja trama você está criando do que colocar no papel experiências pessoais. Quando você pega suas próprias experiências, é mais fácil lapidar.


Você poderia falar um pouco mais sobre estes projetos de ficção?


Sim. Há uma série que estou revisando e pretendo publicar dentro de dois ou três meses. Ao menos o primeiro livro ou se outro não ultrapassar (risos). Ela se passa num futuro pessimista, sombrio, (daí o título Dias de um futuro sombrio). Cada livro conta com um personagem central diferente e finalizo com um livro de contos que se conectam à série. Ainda estou em dúvida se serão quatro ou cinco livros, é verdade, mas o arco da trama já está concluído e estou me preocupando muito mais com o primeiro, óbvio. Estou contando com a ajuda de outras pessoas, amigos, conhecidos da internet, que me ajudam nesse processo porque como o projeto é muito extenso, se você não tiver cuidado, acaba perdendo o rumo. Depois, é sempre bom ter ideias novas! Por exemplo: você tem um amigo que não tem o hábito de escrever, ou não gosta, mas dentro do projeto lhe dá uma ideia de um personagem, de uma situação, de um cenário. Você pega essa ideia e trabalha. Essa cooperação é excelente!

E onde você busca inspiração para criar seus personagens?


Eu acho que não há melhor lugar para você buscar inspiração do que a própria realidade. O mundo real, lotado de pessoas diferentes, seja fisicamente, ou psicologicamente. Um pouco de observação e você pode ter seu personagem ali, diante de seus olhos, e sequer se dá conta disso. É legal pegar pessoas reais e jogar dentro de uma ficção. Um segredo que vou revelar: parte dos meus personagens de ficção, por mais bizarros ou estranhos que possam parecer, tem várias características de pessoas que realmente existem (risos).


Como foi o seu encontro com a literatura? Como você passou a gostar de ler e escrever?


No colégio, desde pequeno. Em casa, eu não tinha muito estímulo, mas meus professores de redação e português me estimulavam com livros de autores como Pedro Bandeira (quem nunca leu uma aventura dos Karas?). O papel de professor é fundamental, desde criança, nesse sentido de estimular o aluno a aprender a ler e mais do que isso, a gostar de ler e de escrever. Acredito que uma coisa não deve se dissociar da outra e ao menos sou grato aos professores por isso. Durante algum tempo, ganhei alguns prêmios e fiz alguns trabalhos no colégio, alguns livros, nada de grande dimensão como uma publicação nacional.

Algum escritor em especial te despertou o interesse pela leitura/escrita? Como aconteceu esse processo?


Quando era criança, Pedro Bandeira, com certeza. Seus livros eram recomendados pelos professores e nos colégios, sem falar na coleção vaga lume, com vários escritores, que eu também adorava. Mais tarde, naquele período de vestibular, em que era obrigatória a leitura de vários livros, li muito Machado de Assis. Um livro que me marcou muito foi o Diário de Anne Frank. Inesquecível. Por fim, Kafka, Michael Crichton, Isaac Asimov, Arthur Clarke. De todos, Asimov foi o que tive mais contato. Um mestre da ficção e um gênero que eu amo.

Qual seria sua dica para quem pretende escrever um livro?


Bom, falando por mim, e por minha forma de trabalhar, acho que antes de tudo a dica é: leia. É verdade, leia bastante! Como diria uma ex-professora minha de redação: vale até ler bula de remédio! (risos). Revistas, blogs, sites, livros, tudo! Todas as informações, todos os conhecimentos adquiridos com a leitura, podem lhe servir de algum modo no momento de escrever. A leitura abre a sua imaginação, cria inúmeras possibilidades, personagens, ideias... Depois, comece escrevendo sobre coisas simples, principalmente se você não tem muita prática. Deixe a vontade de escrever sobressair as dificuldades. Escreva, sobre coisas que você gosta, ou odeia. Um conto, por exemplo, um poema, um texto crítico, sobre um tema que você goste. Vale criar um personagem parecido com você e descrever uma situação cômica que você passou, se quiser. Tem gente que nunca teve contato com escrita, decide escrever um livro do nada, com uma trama complexa, e acaba se frustrando por não conseguir. Acho isso um erro. Essa simplicidade de início é o que vai fazer com que você crie bagagem. A coisa vai fluir naturalmente. Aos poucos, você vai perceber que não escreve mais um texto de trinta linhas, mas está escrevendo um livro de 30 páginas, que logo se tornará maior e melhor.

Sabemos o quanto é difícil lançar um livro no Brasil. Quais os caminhos que um escritor iniciante, como você, deve trilhar para conseguir a publicação de sua obra?


Não espere uma publicação em uma editora grande, logo de cara, no seu primeiro livro. Ao receber diversos “não”, você pode acabar se frustrando, achando que seu texto não tem qualidade, que você não é um bom escritor e desistir. Editoras não querem saber se você é bom ou não, é um comércio, ela tem um produto e precisa vender. Se seu trabalho não se enquadra no que ela acredita ser bom para o mercado, ela não vai nem chegar perto dele. Também não caia na roubada de escrever sobre algo, sobre um tema, que você não se sente à vontade, só por achar que isso pode vender ou que elas podem se interessar. Não mude seu estilo, suas características, sua forma de escrever, acredito que a gente tem que procurar ser original sempre. Se você adora escrever livros de ação, policial, aventura, infantil, enfim, sente-se a vontade com isso, vá em frente. Transpire mais e idealize menos (risos)!
Lembro de uma vez ter enviado um material para uma editora grande, esperado seis meses por uma resposta, e recebido uma carta bonitinha, com selo padronizado e tudo, dizendo mais ou menos: “olha, o seu livro tem qualidade, é ótimo, mas não queremos publicá-lo agora porque o tema dele não está na moda”. Algumas sequer respondiam. Isso sem falar nos editores, muitas vezes você tenta contato com eles, consegue, mas eles te atendem mal ou não lêem seu material.
Acho que, para quem está começando, é muito interessante procurar por editoras pequenas, seja com tiragens menores, ou publicar por demanda. Até por que, primeiro, você precisa criar uma audiência, mesmo que pequena. Criar um blog ajuda, por exemplo, ou, caso não se sinta muito a vontade ou não tenha muita intimidade com esse universo, procurar pessoas que tenham e que possam dar aquela força. Usar a Internet, enviar e-mails para os amigos, enfim, vender seu peixe. Se você conseguir despertar a atenção de uma ou duas pessoas, acredite, já vai valer a pena, já vai ser um grande passo. E nunca esqueça de que vivemos em um país cuja população não tem hábito de leitura.

Como a internet tem ajudado você a divulgar seus livros?


A Internet é uma ferramenta poderosa para divulgação. Com acesso ao meu Orkut, ao MSN, skoob, etc, as pessoas interessadas em adquirir o livro tem um contato mais próximo comigo, com o autor. Isso é ótimo, elas conhecem um pouco da trama e claro, de mim mesmo. E desse contato, podem até surgir ideias para próximos livros!

Liberdade de pensamento: essa foi uma das razões que o conduziram à literatura?


Sim. A possibilidade de me expressar, expressar minhas ideias, compartilhar um pouco de mim, das minhas criações, e viajar através da imaginação, pelo desconhecido, sem sair do lugar.

Por melhor que seja a obra é difícil que a sociedade valorize o escritor sem fama. Por isso, é difícil ganhar a vida escrevendo?


Sim, muito difícil. Mas confesso que isso nunca me passou pela cabeça. Eu nunca deixei de trabalhar ou parei para pensar em largar tudo e tentar viver dos livros que escrevo (risos). Definitivamente não. Eu trato a escrita como um lazer, algo que amo fazer, que me divirto fazendo e até me emociono. É um prazer. Eu escrevo porque amo. Se eu pudesse viver só disso e me dedicar mais, sim, seria perfeito! O melhor de tudo é que ganho novos amigos, gente que não conheço pessoalmente mas que lê o que escrevo, criticam, dão ideias, elogiam, se emocionam, e isso é maravilhoso!


Você é diplomado, formado em Comércio Exterior. Como foi trabalhar ganhando menos que um salário mínimo em um emprego que você não se sentia valorizado?


É horrível. Você passa muito tempo investindo em sua carreira, perdendo tempo e dinheiro. Aí, de repente, quando você entra no mercado de trabalho, se sente como se tudo aquilo fosse em vão. Comigo ainda tinha a questão de eu ser muito novo na época e, quando se é novo, algumas pessoas interpretam isso como sendo sinônimo de falta de preparo ou de responsabilidade. Há milhares de pessoas nesta mesma situação. Eu mesmo conheço pessoas que se formaram comigo, mas não trabalham na área, ganham pouco, ou estão fazendo outros cursos. Essa é a forma do mercado lhe dizer “obrigado por você estudar sua vida toda”.

Para finalizar, qual seria o "emprego dos sonhos" para vc?


Todo mundo deseja ter um bom emprego. Não só um emprego que pague bem, mas que traga satisfação, reconhecimento e segurança financeira. Um emprego público? Sim, talvez. Conheço algumas pessoas concursadas que não estão satisfeitas com a vida que levam e com o emprego que possuem. Não sei, mas acredito que um emprego dos sonhos seria aquele que proporcione, ao menos, o mínimo de dignidade e conforto para o empregado e, quem sabe, para a sua família. Aquele que todos querem, todos perseguem, mas poucos são os que o possuem.

20 comentários:

  1. Adorei a entrevista as coisas que le disse são um incentivo para nós que estamos começando.
    Tenho muita vontade de escrever um livro mas ainda estou meio perdida rsrs e está entrevista me incentivou a pelo menos tentar começar a rabiscar alguma coisa
    Obrigada por nos proporcionar mas conhecimentos deste mundo tão maravilhoso e que é tão pouco explorado . bjus

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  2. Adorei a entrevista! Muito legal! Como o próprio Aquiles disse: "muito esclarecedora sua entrevista".

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  3. May sua entrevista ficou ótima.Adorei!Ainda mais em descobrir através dela a tematíca do Escritor.
    Aqiles adorei saber que você escreve em seu livro sobre essa realidade atual.O emprego dos meus pesadelos *rs. Otímo!

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  4. Muito boa a entrevista , ele descreve muito bem a nossa realidade ( a procura do tal emprego dos sonhos ).

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  5. Parabéns pela entrevista...Adorei!Sucesso...

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  6. Sucesso Achiles!!! Nós que estamos começando (ou não) no mundo das letras tínhamos que nos apoiar de modo a fazer com que o "espaço" fosse de todos!

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  7. Muito boa a entrevista! Parabéns e mto sucesso mesmo!

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  8. Gostei muito da entrevista.
    Princilapmente na parte de como publicar um livro no Brasil e o uso da internet como ferramente de divulgação, pois me identifiquei muito com elas. Quem é escritor iniciante sabe que tudo o que falou é verdade.
    Abraços

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  9. Adorei a entrevista, suas preocupações com os clientes e o receio de poder demonstrar muito sentimento com suas histórias. Deve ser realmente complicado.
    Também gostei muito das suas dicas realistas para quem deseja ser escritor e publicar um livro.
    Parabéns, rapaz. ;)

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  10. Grande Escritor!
    Eu quero esse livro!
    Berg Almeida

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  11. Parabéns pela postagem amiga, muito massa, bj

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  12. Muito bom Rosy, parabéns... Comecei ler e não consegui parar mais... adorei

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  13. Cara, ele é demais. Sinceramente acho que não teria coragem de me jogar nesse mercado de trabalho. É preciso ser incrível, assim como achiles.

    Parabéns pela entrevista, você escreve muito bem.

    Beijinhos da Morena Love.

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  14. Parabéns!

    Pelo blog, pela entrevista, e principalmente pela iniciativa de divulgar a literatura brasileira atual.

    São tão comuns hoje em dia os blogs de literatura americana aqui no Brasil, que parece até que não há produção literária hoje no país.

    Parabéns, May.

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  15. Ficou muito boa a entrevista. Torco muito pro Emanoel! Conhecer o trabalho dele, logo no começo pra mim é uma base muito boa, até porque pretendo algum dia, escrever um livro!
    Boa sorte!

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  16. Tenho que repetir o mesmo que todas as pessoas... FICOU MUITO BOA A ENTREVISTA! Agora tenho certeza que tenho de ler seu livro... Continue assim meu amigo ta de parabéns!

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  17. Genteeeee!! Obrigada a TODOS que passaram por aqui,que deixaram seus valiosos comentários, que estão meseguindo ou apenas passaram, leram e saíram de fininho!!rsrs
    Estou muitooo felizz!!
    Aquiles, em especial, obrigada pela divulgação!!

    Beijo a todos!!

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  18. Nossa!Estou anciosa para ler este livro!!! O Aquiles sempre me pareceu ser um cara super inteligente. Concertesa este livro será um grande sucesso!!!!! Abraço Aquiles!!!

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