domingo, 6 de junho de 2010

Se eu pudesse viver a minha vida novamente...


Ao contrário do que confessa Rubem Alves no livro que intitula essas minhas reflexões intimistas, se eu pudesse viver a minha vida novamente, reescreveria uma boa parte de minha história, passaria a limpo, deletaria alguns erros cruciais e aprimoraria os acertos.
Se, se, se...pudesse! Não posso. Não podemos! Existem escolhas definitivas e irremediáveis. O tempo nos atropela, se impõe sobre nossas ações! Se você fez, realizou o que queria, ótimo! Se não... A cena não se repete, como em um ensaio teatral.

É incontestável o fato de que assim que nascemos, começamos a morrer, gradativamente. Deve ser por isso que choramos, ao invés de sorrirmos. Segundos, minutos, horas, meses, anos... Contagem regressiva até o último instante de vida. E tudo acontece tão rápido, de forma tão efêmera!


Engana-se aquele que diz: "você terá uma longa vida pela frente..." Se pensarmos friamente, cronologicamente, não há vida longa. Esta é sempre curta. Implacavelmente curta! Alguns terão anos a mais, outros a menos, mas sempre será insuficiente.


Há tanto o que se fazer, tantos sonhos e desejos a se concretizarem: lugares para se conhecer, chãos para se pisar, um universo inteiro para se desvendar!
E ficamos assim, inertes, diante da falsa ideia interiorizada de que "a vida é longa" e, portanto, "temos todo o tempo do mundo", assim como cantava Renato Russo. E olha só que ironia do destino, logo ele que teve um tempo reduzidíssimo entre nós. Mal entrou em campo, já recebera um cartão vermelho, com uma torçida frenética na arquibancada gritando seu nome.

E assim tem sido... Vivendo ou vendo a vida passar pela janela do quarto, o tempo voa!!!


Um pouco de poesia para acrescentar mais beleza à vida!


Em meu coração há um pássaro azul que quer sair...
E eu estremeço ao ver pássaros engaiolados.
Eu falo: "espera, aguenta mais um pouco, eu vou te libertar daí"!

Em meu coração há um pássaro azul que quer sair...
Mas a liberdade compromete a sua existência.

Será que ele saberia viver com a autonomia necessária?

Saberia adaptar-se à sua vida de pássaro livre, não dependente
da respiração alheia?

Em meu coração há um pássaro azul que quer sair...

Receio que não esteja preparado, e falo: "pensa bem, veja o lado bom de estar preso", tão cômoda é a tua posição!

Em meu coração há um pássaro azul que quer sair...

Sem que ninguém o veja, solto-o por alguns instantes
sob uma liberdade condicional: "saia, mas volte antes do amanhecer"!

Ele voa, voa, visita lugares longíquos, conhece e contempla outras paisagens...
Obediente e cativo, volta com o canto embargado
Mas ainda ouço um ruído de lamentação.

Tento consolá-lo: "um dia você sairá e não precisará mais retornar"!


Em meu coração há um pássaro azul que quer sair...
Assim, continuamente, dia após dia...
Vamos, secretamente, exercitando uma liberdade paradoxal,

que ora amedronta e ameaça, ora regozija a alma!


Em meu coração há um pássaro azul que quer sair...

Sua insatisfação e limitação é tão grande...

Capaz de fazer alguém chorar!
Eu choro! Você chora?


Adaptação do poema Blue Bird, de Charles Bukowski.

4 comentários:

  1. Que blog mais lindo! :)

    Quantas vezes não fazemos besteiras, perdemos tempo com bobagem, gostáriamos de reviver algo por um segundo...

    ResponderExcluir
  2. Bacana seu texto.Essa vida orgânica que passa rápido e essa vida emocional pulsando em nós que quer viver, errar, acertar e conhecer compulsivamente. Um contraste sem fim, um paradoxo total.

    Parabéns!!!

    ResponderExcluir
  3. Olha que legal e simples um poema lindo e puro. Gostei muito do seu blog, principalmente dos poemas, Visitarei bastante. ABRAÇOS!


    Laerte Lopes
    www.laerte-lopes.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Ana, Dai e Laerte... Obrigada!!!
    Seus comentários enriquecem meus posts!!

    Abraço!!

    ResponderExcluir