quarta-feira, 20 de julho de 2011

Quem você levaria para uma ilha deserta?

As lembranças daqueles que foram meus cúmplices quando éramos crianças ainda estão bem vivas em meus pensamentos, embora de alguns tenha perdido completamente o contato. Só restaram poucas fotografias desgastadas pelo tempo. Já tentei reencontrá-los nas redes sociais e, nada! Ao que parece, não foram contagiados pela febre do mundo virtual. Se assim for, louvo-os por isso. De outros, obtive notícias... Ruins, por sinal. Partiram, junto com os pais, para tentar uma vida melhor na cidade grande e não obtiveram sucesso. Foram atraídos pelas armadilhas nefastas das grandes metrópoles. Antes tivessem ficado por aqui mesmo, tomando banho de rio, comendo feijão verde, chupando umbú e vivendo uma vida besta, como descreve Drummond, em Cidadezinha Qualquer.

Naturalmente, com o passar do tempo surgiram outros amigos no período da adolescência, que foram meus confidentes, suportaram meus dramas emocionais (drama=cabelo feio, espinha no rosto, saídas vigiadas e outros do gênero) amorosos e familiares... Fugimos para micaretas, deitamos e não dormimos, tomamos porre no quintal de casa, escondido de todos, rimos, rimos muito, dos outros e de nós mesmos. Ouuuu saudade cortante, como a de um grande amor ausente... Sim, amigos são grandes amores, a diferença é que não há sexo, no mais até paramos para discutir a relação em fases críticas. Isso ocorre quando percebemos ou nos incomodamos com algumas mudanças drásticas que a vida nos impõe. Amigos casam, geram filhos, mudam de religião... Mas se há ainda vestígios da identificação inicial, a amizade permanece.

Tenho amigos de todos os modelos, loucos, certinhos, novos, de meia idade, ateus, agnósticos, cristãos, antigos, recentes e até virtuais. Estes, poucos, não estão presentes fisicamente, mas existem e talvez saibam sobre mim muito mais do que aqueles com os quais convivo pessoalmente. Isso comprova que a "química" independe da localização geográfica, mas de fatores internos. Cada um deles se ajusta às minhas necessidades, como as peças de roupa que tenho guardadas, algumas mais sociáveis, despojadas, outras apenas para ocasiões especiais. E não importa muito a frequência com que as uso, todas são indispensáveis.

Sabe aquela pergunta clichê sobre "quem você levaria para uma ilha deserta"? Feita a mim, responderia de imediato: amigos, livros, um violão e algumas garrafas de vinho. Lá eu ficaria, bem longe da civilização, apenas com os elementos necessários à minha autorealização.

Aos meus amigos e àqueles que ainda se tornarão...


4 comentários:

  1. Você está bem viva no meu pensamento May...
    Há em mim vestígios seus , de nossa amizade mesmo que AINDA VIRTUAL...

    *rs oba.... Gosto muito de degustar um vinho e apreciar sua AMIZADE!✿゚

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  2. Quem sabe um dia, não irei a Goiânia e a gente se percebe mais real! rs
    Gosto, gosto muito de você, menina!
    Bjo!

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  3. Bem, bem, bem... Outro dia, meu irmão foi se tornando meu amigo e vice-versa. Conversamos palavras profundas, confessamos sentimentos que estavam sob a pele. E a conversa rolou banhada de vinho. Percebemos que não aguentamos tomar vinho suave. Jogamos meia garrafa fora. Sem dó! Em compensação, foram quatro garrafas de tinto seco, "Concha e Toro", Merlot e Cabernet sauvignon, " Ladera de La Vega" e "Periquita". Quando demos por nós, já estávamos longe!!! O dia seguinte tinha pano de chão ao vinho tinto, parede com respingos de tinto sêco da safra de 2009. Nossos pais estiveram presentes em sua ausência perene. Foi uma noite boa.
    E com você Mayre, levarei algumas garrafas que dêem copmbustível para nossas palavras.
    Um abraço: Joselito

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  4. É, com certeza o vinho daria um empurrãozinho na conversa!Ah, eu também prefiro o tinto.
    Abraço, querido!

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