segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nossa, você é nerd?!

Gosto tanto de ler que até bula de remédio me atrai. A leitura, especialmente de ficção é meu combustível de vida. Sempre foi assim, desde quando me entendo por gente letrada. Sou fascinada pela criação literária. Através desta quebramos a limitação do real, do previsível, do humanamente possível. Inventamos outras formas de existência, experimentamos sensações e emoções variadas, delineamos contornos imaginários para suprimirmos a mediocridade cotidiana.


Como sempre estive imersa nesse universo, não consigo entender muito bem pessoas que não gostam de ler, que dizem não ter paciência de ler um livro inteiro, preferindo as citações e pequenos fragmentos de obras com as quais se identificam de alguma forma. A minha amada Clarice Lispector e o Caio Fernando Abreu que o digam. Frequentemente suas citações ( e quase sempre textos fakes ) são postados nas redes sociais por esse grupo de pessoas que nunca leu um livro sequer desses autores. Desconhecem o estilo pessoal de cada um e a beleza artística de suas produções. São leitores exibicionistas, que se apropriam desse conteúdo facilmente encontrado em sítios e blogs para criarem uma imagem falsamente intelectualizada.


Surge então uma espécie de neo leitor, desprovido de maturidade literária e capacidade de interpretação contextualizada, para os quais compartilhar uma citação de autoria renomada corresponde apenas a uma identificação momentânea com seu estado de espírito diário. Talvez encontremos uma explicação para esse comportamento no estilo de vida que se sobressai na atualidade. Há uma pressa constante na realização das atividades cotidianas, um aceleramento do fazer, condição para ser e ter. A leitura é uma atividade que predispõe tempo, dedicação e um certo isolamento momentâneo. E parece não haver mais espaço e paciência para quem já se condicionou a fazer mil coisas ao mesmo tempo, até mesmo sexo assistindo a novela em horário  nobre.


E andar na direção contrária, é pagar um preço bem alto pela fuga da uniformização. Vez ou outra ouço críticas em relação a esse meu gosto "estranho" pela leitura: "Nossa, você é nerd!", ou então, "Larga essa revista, você está no salão de beleza, aqui é lugar pra relaxar..." Mas é assim que eu relaxo e não ouvindo os Luan Santana ou não-sei-quê-lá Magalhães da moda. Não sou do tipo religiosa recém-convertida, que tenta convencer a todos de que Jesus é o único salvador, com exceção dos meus alunos, pois aí sim, tenho a obrigação de atraí-los para o mundo fascinante da leitura, no mais... Só lamento a inatividade intelectual predominante.

2 comentários:

  1. Nossa! Eu sempre digo para meus alunos e minhas alunas sobre a diferença entre ser bonito (a) e ser belo (a). Há pessoas que são muito bonitas, mas não têm beleza. E há pessoas que não têm boniteza e são extremamente belas. Com essas últimas a gente se encanta e fica horas a fio compartilhando o tempo com elas. E o que torna uma pessoa bela? Sua sensibilidade, seu grau de maturidade, seu jeito peculiar de perceber o mundo e emitir pareceres singulares e interessantes sobre os acontecimentos. E tais características passam, inevitavelmente e necessariamente pela leitura. E você é bonita e muito mais bela Mayre. O que me encanta e me faz querer ler cada vez mais o que você escreve, saber o que você pensa e perceber curioso como você se posiciona diante do pequeno e grande mundo, local e global.
    Um abraço literário: Joselito

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  2. Nossos pensamentos e posicionamentos são bastante convergentes, e fico sempre muito feliz ao descobri-los, gradativamente, neste espaço que nos aproxima pela identificação de olhares. Olha só, que beleza, acaba de surgir a ideia para a escrita do próximo post: beleza x boniteza!Peço-lhe que leia e teça mais um de seus comentários encantadores.

    Abraço reciprocamente literário: Mayre

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