terça-feira, 18 de setembro de 2012

Avôhai


Sinto falta da proteção, do amor desmedido, do carinho a todo instante, da doação, das lições de vida. De saber que ele estaria ali, pra dizer um não, sempre que o meu ímpeto aventureiro de adolescente desafiasse sua autoridade paterna. Mas muito mais para conceder, pelo prazer de ver um sorriso estampado em meu rosto. Painho (era assim que eu o chamava, de forma bem cantada, bem ao estilo baiano de ser) era um homem admirável e imponente. Sem nunca ter frequentado a escola, aprendeu a ler, escrever e calcular através do comércio informal. Montado no lombo dos cavalos percorria terras longínquas do nosso sertão, dormindo ao relento, comendo carne assada na fogueira e feijão mal cozido em caldeirões de ferro. Um homem obstinado, que teimou em contrariar a pobreza e a ignorância. Foi vencedor, de si mesmo, das intempéries da vida, das desgraças impostas pelas estratificações sociais. Adquiriu posses, acumulou bens, conquistou amigos influentes... E continuou o mesmo, depois de perder tudo. Os mesmos valores, a mesma personalidade marcante, ainda hoje lembrada por aqueles que com ele conviveram. Meu velho e invisível Avôhai, saudade, muita saudade...

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