sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

E se eu pudesse fazer algo?




Começaria destituindo prisões. Libertaria o espelho, da ditadura da beleza. Rebelado, belo seria aquele de sentimentos bons. Ao ser questionado: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais belo do que eu”? Ele diria, imponente: “Diga-me quem tu és, o que fazes, como pensas, que eu te darei uma escala de valores e a tua beleza será revelada ou deformada.” A indústria da beleza decretaria falência, pela ausência de consumidor. Modelos famosos ficariam à margem, sem ter o que expor.

O dinheiro, ah o dinheiro... De rei passaria a plebeu, objeto abjeto, papel de menor valor. Não haveria, portanto, ricos e pobres, classe inferior. Privilegiados ou desfavorecidos, desigualdade de oportunidade, escolaridade, gênero, injustiças, seriam características de uma sociedade extinta e ignorada. Votar não seria obrigação. O único manda-chuva seria São Pedro que, ao ser invocado, faria gotejar a chuva tão necessária nos desertos mais áridos e desacreditados.

As religiões seriam unificadas: hinduístas, judeus, budistas, islâmicos, cristãos... Todos irmanados, religados pela fé em um Supremo Criador. Ninguém jamais mataria, guerrearia ou condenaria, em nome do seu Deus egoísta, vingativo, hipócrita e delator. As suas verdades para si bastariam. O marketing da fé não venderia mais paraísos celestiais e a guerra santa publicitária seria vencida pelo NÃO coletivo de milhões de fieis fortalecidos pelo milagre da razão. Amém, irmãos?

Seria terminantemente proibido se privar de: tomar banho em trovoadas de verão, ver o pôr-do-sol ao lado de quem se ama, assistir ao espetáculo proporcionado pela lua cheia, brincar com uma criança como criança, cantar por vergonha de desafinar, dançar por medo de pisar no pé, subir em árvore com medo de cair, rir até a barriga doer, comer delícias para não engordar, andar com os pés descalços para não se sujar, dizer a verdade para não constranger, encarar desafios por medo de perder.

A felicidade seria uma sentença, atribuída a todos que fizessem a “lição de casa”.



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